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Mídias sociais: troca de ideias e oportunidades de negócios num clique

BAIXO CUSTO E O AUMENTO DA BANDA DE CONEXÃO PERMITIRAM UMA RECONFIGURAÇÃO ABSOLUTA DAS FERRAMENTAS DE COMUNICAÇÃO. CONHECER OS SEUS MECANISMOS DE FUNCIONAMENTO E ABRANGÊNCIA É FUNDAMENTAL PARA OS NEGÓCIOS DAS EMPRESAS. DO CONTRÁRIO, AS CORPORAÇÕES PODERÃO PERDER OPORTUNIDADES MAIS EFICAZES DE COMUNICAÇÃO COM OS SEUS PÚBLICOS.





Orkut, Twitter, Facebook, Blog, YouTube. É cada vez maior a proliferação de ferramentas de comunicação reunidas sob uma única expressão: mídias sociais – também conhecidas como redes sociais, consideradas ferramentas on line de comunicação interativa e que deverão estar cada vez mais presentes no dia a dia da sociedade. Exemplo é que logo depois das notícias de enchentes que assolaram a região Sudeste do Brasil no início do ano, usuários de redes sociais se mobilizaram para oferecer apoio às vítimas desabrigadas. Nos noticiários televisivos, vídeos publicados primeiramente no YouTube são utilizados para complementar reportagens. A própria Tilelli Associados, idealizadora deste informativo e de olho nas novidades, não demorou a constatar a importância da rede mundial de computadores: além do site institucional e da digitalização de todo o conteúdo desta publicação, é, desde o fi nal de 2009, usuária do Twitter (#grupotilelli).

Segundo levantamento realizado por Datamonitor, em 2007 já eram mais de 230 milhões de usuários no planeta inscritos em pelo menos uma rede social. Em pesquisa divulgada pela ComScore, este número atingiu 730 milhões, em 2009, um crescimento de mais de 300%. Nesse contexto, é inegável que as mídias sociais exercem, de alguma forma, algum tipo de infl uência em todos os ramos de atividades. Conhecer os mecanismos de funcionamento e abrangência dessas mídias, portanto, tornou-se fundamental para os negócios de uma empresa, sob o risco de deixar de lado oportunidades mais efi cazes de se comunicarem com os seus públicos.

De acordo com a jornalista e coordenadora de Pesquisa do Centro de Comunicação e Letras da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Angela Schaun, o uso da internet acarreta alterações no direcionamento, velocidade, volume e espaços que envolvem o ciclo informacional. “Nas mídias sociais, os indivíduos passam a utilizar essas ferramentas para compartilhar opiniões sobre quaisquer assuntos, trocar ideias sobre temas de seu interesse e compartilhar gostos e desejos”, explica. “Os benefícios do seu uso são vários, sobretudo pelas empresas, e vão desde o monitoramento da sua imagem e marcas até a divulgação de novos produtos, difusão de mensagens corporativas e da comunicação com os seus diferentes públicos.”

A especialista explica que, como o desenvolvimento das tecnologias da informação, confi gurado na “Sociedade da Informação, ou Sociedade em Rede, ou Sociedade do Conhecimento”, alterou signifi cativamente a organização social e as relações entre os indivíduos, o paradigma informacional passou a ser composto por cinco alicerces: a informação como matéria prima; o desenvolvimento das novas tecnologias com ampliação de sua presença na sociedade; o princípio da interconexão; a fl exibilização dos processos e a convergência das tecnologias. “Diante desse novo quadro, para a sobrevivência e desenvolvimento de uma empresa, é fundamental mapear os públicos de interesse da organização e contratar profi ssionais especializados para montar um planejamento estratégico de comunicação que deve ser dinâmico e permanentemente monitorado”, afi rma. “As mídias sociais são, portanto, mais um fenômeno da atualidade que deve ser levado em conta como uma ferramenta da administração, capaz de auxiliar as empresas a lidar com os riscos inerentes a qualquer negócio.”

Para Luciana Moherdaui, jornalista e estrategista de internet, autora do “Guia de estilo web”, assim como outras formas de comunicação, no espaço digital há também condutas de relacionamento. A diferença é que as mensagens postadas na rede alcançam o leitor imediatamente. “Se no convívio off line é preciso traquejo para lidar com o cotidiano, na internet, um deslize pode colocar em xeque a credibilidade alheia”, informa.

Ela ilustra a afi rmação com o caso da apre sentadora Xuxa Meneghel que, em agosto passado, causou polêmica no Twitter. Nova no microblog, ela foi alvejada, primeiramente, por escrever em caixa alta. Internautas explicaram à apresentadora que, na cultura de rede, escrever em caixa alta equivale a gritar. Mas ela não lhes deu ouvidos. A cada tentativa de explicar seu comportamento, Xuxa se atrapalhava mais, e as críticas não cessavam. Além de seus posts “gritarem”, apresentavam erros de ortografi a e acentuação. De acordo com Moherdaui, a gota d’água foi quando ela escreveu “sena” no lugar de “cena”. Vieram mais reclamações. Xuxa xingou e se despediu do Twitter irritada. Por causa da repercussão negativa e da amplitude do caso, Xuxa ameaçou processar o microblog, mas logo voltou atrás. “O episódio com a apresentadora mostra quanto a rede torna o usuário vulnerável e em questão de segundos destrói sua reputação”, diz Moherdaui.

Para se ter uma ideia da amplitude da internet pelo mundo afora, em julho de 2008, 158 milhões de americanos assistiram a vídeos on line, segundo dados da ComScore. Naquele mês, foram vistos mais de 21 bilhões de vídeos. Os sites do Google, incluindo o YouTube, responderam por 42% dos acessos. A Viacom Digital fi cou em segundo lugar, com 812 milhões de fi lmes, enquanto as páginas da Microsoft exibiram 631 milhões. “Ainda que pesem as atuais condições de banda no Brasil, hoje não é mais preciso sair de casa para consumir música, fi lme, livro, jornais ou revistas. Também não é preciso usar o telefone para conversar com quem quer que seja. Essas ações podem ser realizadas pela internet. E a web é apenas um dos protocolos disponíveis nesse gigantesco universo que é a rede mundial de computadores”, atesta.

Se é verdade que quase tudo o que é possível fazer no mundo real está a um clique do mouse, signifi ca que há uma enorme base de dados disponíveis na rede e que pode ser remodelada. A internet, as mídias sociais, a questão dos crimes no ciberespaço e a propriedade intelectual são temas que já estão sendo normalmente pautados e tratados pelos legisladores e pelos tribunais, nacionais e internacionais. Por outro lado, de acordo com Moherdaui, existe a ameaça da sociedade de controle. “É preciso sistematizar os limites desse espaçamento e elaborar uma crítica que explique em que medida o acesso a essas informações aponta para novos paradigmas éticos, políticos, cognitivos e estéticos já que não é possível reverter a mudança da cultura da página para a cultura de dados.”

O processo é irreversível. E os números, incontestáveis. Pelo Ibope, em julho último, os internautas brasileiros passaram quase um terço de seu tempo de nave gação na internet em páginas do Google. Portanto, já não cabe mais falar das diferenças entre ferramentas on e off line. Mas de estar ou não conectado.

POR JULIANA TAVARES (JORNALISTA)


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